terça-feira, 25 de abril de 2017

RIO PARDO GRANDE DO SUL



(foto Situr - divulgação)

O renomado pesquisador, historiador, poeta, Antônio Augusto Fagundes, declarou certa ocasião que "ninguém vem a Rio Pardo; nós, gaúchos de todas as querências, voltamos a Rio Pardo". E é esse sentimento de regressar, de voltar a um tempo passado, tempo que marcou a formação do povo e do território riograndense, que o visitante experimenta ao conhecer a histórica cidade de Rio Pardo.
E para experimentar a sensação de estar no tempo do Rio Grande do Sul em formação basta uma pequena viagem percorrendo-se uma distância de 146 km, partindo de Porto Alegre pela BR 116 Sul, seguindo pela BR 290 até Pantano Grande e a partir daí pela BR 471 até Rio Pardo.
A visita a Rio Pardo é uma verdadeira aula de história e pode começar pela Igreja Nossa Senhora do Rosário que, se ocorrer durante os festejos da Páscoa, permitirá ao visitante acompanhar uma intensa programação religiosa, além de poder admirar uma rara escultura do Senhor Morto, com membros articulados.
Igreja Nossa Senhora do Rosário, inaugurada em 1801
foto: Carolina Grimm

Ainda entre as igrejas merece destaque a Igreja Bom Jesus dos Passos, cuja mantenedora atual é a Irmandade de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos. Em 1872 foi reformada e atualmente encontra-se fechada para restauração.
Igreja Bom Jesus dos Passos, construção de 1815
foto: Situr - divulgação
Certamente é a Igreja São Francisco a mais bem conservada das igrejas da cidade e onde o visitante poderá fazer uma visita monitorada pelo preço simbólico de R$ 2,00. Durante a visita, além de receber importantes informações sobre sua construção, acervo, histórias e lendas é possível admirar a perfeição de esculturas de artista desconhecido e impressionar-se com os detalhes anatômicos das mesmas. Anexo encontra-se o Museu de Arte Sacra, inaugurado em 1975.
Interior da Igreja São Francisco, inaugurada em 1812
foto: Situr - divulgação
 O Centro Regional de Cultura Rio Pardo pode ser visitado diariamente (consultar horários), inclusive sábados, domingos e feriados (exceto 25/dezembro), visita monitorada por R$ 2,00. Originalmente o prédio foi construído para servir de hospital (1848), mais tarde foi instalada ali a Escola Militar da Província para depois transformar-se no Ginásio da Auxiliadora. Em 1983 foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Hístórico e Artístico do Estado do rio Grande do Sul (IPHAE) e de 2002 a 2005 restaurado pela REFAP S/A, através da Lei de Incentivo à Cultura. 
Interior do Centro Regional de Cultura Rio Pardo
foto: Situr - divulgação
Ao caminhar pela rua da Ladeira, hoje Júlio de Castilhos, é impossível que o visitante não seja tomado por estranhos sentimentos ao lembrar que aquelas pedras foram ali colocadas por mão de obra escrava. Trata-se da primeira rua calçada no Rio Grande do Sul. Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1954 a rua foi idealizada conforme a Via Appia Romana, com escoamento da água pelo centro.
Rua da Ladeira, pavimentação executada em 1813
foto: Situr - divulgação


O Museu Municipal (atualmente fechado para manutenção) ocupa o conhecido Solar do Almirante, um prédio com linhas arquitetônicas coloniais portuguesas e guarda um importe acervo de um dos municípios mais antigos do estado.
Solar do almirante, construção de 1790
foto: Situr - divulgação

Do Forte Jesus Maria José, marco inicial em torno do qual nasceu Rio Pardo, quase nada restou, infelizmente. Construído pelo portugueses em 1752 para proteger a fronteira de Portugal evitando avanços da Espanha numa região de constantes conflitos e disputas de território. É profundamente lamentável que pela falta de providências adequadas tão importante patrimônio histórico tenha se perdido.
O que restou da importante fortaleza...
foto: Carolina Grimm
Assim como o Forte acima, se não receber manutenção e restauro, o belíssimo edifício da Estação Ferroviária terá o mesmo triste destino... Trata-se de um prédio histórico de considerável valor para a historia de Rio Pardo e do Rio Grande do Sul. Na estação eram comercializados os sonhos de Rio Pardo, receita ainda guardadas por algumas doceiras da cidade, e o filé de peixe que hoje pode ser saboreado em bares e restaurantes da Praia dos Ingazeiros às margens do rio Jacuí.
Estação Férrea, inaugurada em 07 de março de 1883
foto: Situr - divulgaçao
Em 1813 na Casa do Conselho foi lido um oficio da Junta da Real Fazenda com cópia do decreto de licença para a construção da ponte sobre o Rio Pardo. Em 20 de setembro de 2014, totalmente recuperada, a ponte foi devolvida à comunidade, resgatando uma importante parte da história.



Ponte do Rio Pardo - construção de 1813
foto: Situr - divulgação
Em 1756, com o término da Guerra Guaranítica (1753-1756) parte da aldeia de São Nicolau, uma das reduções dos Sete Povos das Missões, foi reconstruída em área que hoje pertence ao município de Rio Pardo, com acesso por estrada de terra.
Igreja de São Nicolau, construída no local da aldeia missioneira
foto: Situr - divulgação

A Ponte do Couto, na periferia da cidade e com acesso por estrada de terra, foi construída em arcos romanos num projeto do engenheiro João Martinho Buff e execução de Antonio Luiz da Costa Esteves. O local serviu de inspiração para a lenda do "Tesouro do Menino Diabo".  
Ponte do Couto, construção de 1848
foto: Carolina Grimm
A mais sangrenta das batalhas da Revolução Farroupilha ficou conhecida como a Batalha do Barro Vermelho e foi travada em terras Rio-Pardenses em 30 de abril de 1838. 
Monumento ao Soldado Farroupilha Desconhecido
Praça da Cruz da Cruz do Barro Vermelho